A Revista de Negócios dos Atacadistas Distribuidores

O Brasil está pronto para crescer, diz o economista Maílson da Nobrega

Em palestra no Encontro de Valor da Abad, realizada na sede da Fecomercio, em São Paulo, nesta segunda-feira (27), ele disse que o cenário eleitoral mais provável em 2018 é uma articulação de centro com o governador Geraldo Alckmin como candidato à Presidência.

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Nesta segunda-feira (27), a ABAD promoveu na sede da Fecomercio, em São Paulo mais uma edição do ENCONTRO DE VALOR ABAD, tendo como destaque a palestra do economista Maílson da Nóbrega, seguida de um painel político-econômico e da premiação do “Fornecedor Nota 10” de 2017, entregue às empresas de bens de consumo que se destacaram ao longo do ano em sua parceria com o setor.

O encontro, anual, reúne os mais destacados empresários e gestores atacadistas e distribuidores de todo o Brasil, incluindo as diretorias da ABAD e de suas 27 filiadas Estaduais, além de autoridades, parlamentares, representantes de entidades setoriais e representantes da indústria de bens de consumo, com o objetivo de proporcionar networking, geração de negócios e debate qualificado sobre os temas mais relevantes para a cadeia nacional de abastecimento.

Em sua apresentação, Maílson trouxe sua perspectiva para o futuro econômico do país, sem esquecer o aspecto político, já que as eleições do próximo ano influenciam desde já o cenário nacional. “Estamos saindo da pior recessão da história do país. A queda da taxa de desemprego, da inflação e dos juros já demonstra que iniciamos o processo de retomada da economia. Apesar de toda a turbulência vivida até agora, o Brasil preservou as condições para o crescimento, mantendo intactas as suas instituições”, disse.

Para o economista, o país está pronto para crescer e eleger em 2018 um presidente que possa dar continuidade ao processo de reformas iniciada pelo presidente Michel Temer. “O cenário eleitoral com maior chance de acontecer – 70% de probabilidade – é de uma coalizão de centro. Em minha opinião, o governador Geraldo Alckmin reúne as condições necessárias para inaugurar esse novo círculo virtuoso. Terá tempo de TV; é um nome nacionalmente conhecido; e tem estrutura partidária”, afirmou.

Maílson acredita que o país deve crescer 0,7% em 2017 e 2,5% em 2018. A inflação, segundo ele, deve fechar em torno de 3% neste ano, e chegará perto de 4% no ano que vem. “As reformas são fundamentais para evitar um colapso fiscal. Por isso, a principal delas, a reforma da previdência, deve ser encarada ainda no mandato de Temer. Vivemos uma nova fase no Brasil. Um momento em que a sociedade é mais participativa e vai cobrar uma postura ética, mas com capacidade de articulação política”, concluiu.

QUESTÃO TRIBUTÁRIA E E-COMMERCE

Os cerca de 400 participantes do evento também assistiram às palestras “Tecnologia Mudando o Futuro dos Negócios e das Pessoas”, por Guilherme Soares, CEO da HSM Brasil, e “Realidade e Tendências do Mercado de Consumo Brasileiro”, por Daniela Toledo, Diretora da Nielsen.

Na sequência, Maílson da Nóbrega foi também mediador do painel Inovação, Consumo e Ambiente de Negócios: Como Construir um novo Brasil com Eficiência e Rentabilidade, que contou com a participação de Daniela Toledo; do presidente da ABAD, Emerson Destro; dos empresários José Luiz Turmina (CEO da Oniz Distribuidora), Euler Fuad Nejm (Decminas) e Waldir Beira Junior (CEO da Ypê), além do executivo Walter Faria (CEO do Grupo Martins).

O e-commerce e a questão tributária dominaram o debate no painel. Para presidente Emerson Destro, a simplificação tributária é fundamental para melhorar o ambiente de negócios. “No mercado em que atuamos esse é o principal desafio. A complexidade tributária, com incentivos criados pelos Estados, dificulta o desempenho das empresas. Quando isso estiver resolvido, o empresário terá mais liberdade para atuar”. Maílson da Nobrega concordou com a análise e disse que o maior entrave para o crescimento da produtividade é a realmente o caos tributário.

Daniela Toledo disse que o e-commerce veio para acelerar e mudar ainda mais a dinâmica do varejo. “O desafio é entender como os canais se complementam sem perder o foco no cliente, na ponta do consumo”. Para José Luiz Turmina, seja a loja física, seja o e-commerce, a questão é mais profunda. “Temos de agir pensando que todos os canais vão existir. O que muda é o quanto podemos agregar em valor e serviço em cada um deles e como a indústria vai demandar isso”.

Para Walter Faria, a questão tributária torna o custo logístico no Brasil inviável, impulsionando os segmentos econômicos a buscar eficiência e produtividade. Segundo ele, cada vez mais as alianças – da indústria e dos agentes de distribuição – serão importantes.

Waldir Beira Junior salientou a importância do papel do setor atacadista. “Nós precisamos e dependemos do canal indireto para que os nossos produtos cheguem nos lugares mais distantes desse país”, afirmou.

CATEGORIAS EM DESTAQUE

Durante o ENCONTRO DE VALOR ABAD 2017 foi apresentado o estudo “Categorias em Destaque”, elaborado pela Nielsen, que analisa 15 categorias de produtos que se destacaram no mercado mercearil, comparando seu desempenho no primeiro semestre de 2017 com igual período de 2016, em especial nos varejos de vizinhança.

O grupo estudado inclui cerveja, pós-xampu, maionese, fralda para incontinência, desodorante, aparelho e creme para barbear, bronzeador, chá pronto, molho de tomate, limpa-vidros, esponja sintética, molho para saladas, aguardente de cana e café em pó.

O levantamento da Nielsen também analisa o desempenho das cestas pesquisadas nos diferentes canais de compra e mostra que, nacionalmente, elas sofreram queda de 3,9% em valor e de 5,2% em volume. No varejo tradicional a retração foi ainda maior, de 8,5% em volume e de 7% em valor. Já as lojas de vizinhança, mais bem estruturadas em sortimento e atendimento, apresentaram queda menos acentuada, de 2,5% em valor e de 4,5% em volume.

A pesquisa destaca, ainda, o fraco desempenho dos hipermercados, com retração de 6,7% em valor e de 7% em volume. Já nos supermercados a queda foi de apenas 0,5% em valor e de 1,6% em volume.

Em relação às cestas, o estudo mostra que, no varejo tradicional, a maior perda ocorreu na cesta de alimentos, com queda de 11,7% em volume e de 8,2% em valor. Os produtos de bazar recuaram 9,9% e 7%, respectivamente, em volume e valor, assim como apresentaram queda as bebidas, de 6,1% e 5,5%; os artigos de higiene e beleza, de 6,4% e 4,8%, e os produtos de limpeza, de 8,7% e 8,6%.

Já o varejo de vizinhança, que inclui as lojas de pequeno formato das grandes redes varejistas, a cesta de alimentos apresentou recuo de 5,5% em volume e de 2,1% em valor; os produtos de bazar, de 9,5% e 4,7%, as bebidas, de 3,7% e 2,4%, os artigos de higiene e beleza, de 2,4% e 2,2%, e os produtos de limpeza, de 4,2% e 6,1%.

PREMIAÇÃO
Na ocasião também foi entregue o prêmio “Fornecedor Nota 10” às indústrias eleitas por atacadistas e distribuidores de todo o Brasil em doze categorias de produtos, com base nos resultados do estudo da Nielsen “Categorias em Destaque”.

Esta premiação reconhece a importância estratégica dos fornecedores e sua parceria com os agentes de distribuição para o aperfeiçoamento do Canal Indireto. Conheça os premiados deste ano, distribuídos em 12 cestas de produtos:

• BAZAR – HENKEL
• BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS – PEPSICO
• BELEZA – UNILEVER
• CALDOS, MOLHOS E CONDIMENTOS – CARGILL
• CANDIES – MONDELEZ
• HIGIENE PESSOAL – COLGATE PALMOLIVE
• LIMPEZA CASEIRA – QUÍMICA AMPARO/YPÊ
• MERCEARIA DOCE – NESTLÉ
• MERCEARIA SALGADA – BUNGE
• REFRIGERADOS – DANONE
• PET – MARS
• BEBIDAS ALCOÓLICAS – HEINEKEN

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