Nestlé cria embalagem resistente para substituir plástico

A Nestlé criou um material capaz de substituir as embalagens plásticas. Trata-se de um papel reciclado com revestimento de polímero que o torna impermeável e resistente o suficiente para passar pela linha de produção, transporte e armazenamento por nove meses. Segundo a empresa, o material reciclado se degrada depois de seis meses no oceano.

A empresa não revelou o investimento desembolsado para desenvolver essa nova tecnologia e disse que é muito cedo para avaliar qual será o impacto ao meio ambiente da troca do plástico pelo papel. A companhia diz que não pretende patentear a inovação, permitindo que outras empresas adotem o material a partir de abril de 2020. “Não é do nosso interesse segurar isso”, diz Jas Scott de Martinville, líder mundial de pesquisa e desenvolvimento de produtos de confeitaria da Nestlé, ao Financial Times. “Queremos que a indústria use papel.”

Por enquanto, a nova embalagem é usada apenas nas barras cereais da marca YES!, vendidas em vários países europeus e que devem chegar em breve ao mercado global. Para que o material fosse viável, a empresa precisou adaptar as máquinas existentes e a velocidade da linha de produção. As alterações foram pequenas, mas aumentaram os custos. A barra custa £1,20 (em torno de R$ 5,60) – 50% mais que as concorrentes.

Para Erwin Reisner, chefe do Centro de Economia Circular para Eliminar Resíduos Plásticos da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a nova tecnologia da Nestlé é um “passo importante”. “Isso vai pressionar outros fabricantes”, afirma ao Financial Times. Para além de alternativas, ele ressaltou no entanto que é necessário tornar o plástico reutilizável e reciclável.

Movimento sustentável

Um terço das embalagens de todos os produtos da Nestlé é de plástico. Desse total, a empresa não revela o quanto é reciclado. A gigante de alimentos colocou como meta para 2025 que todas as suas embalagens sejam reutilizáveis, recicláveis e biodegradáveis. O movimento contra o plástico tem se tornado comum em empresas como Unilever, McDonald’s e Lego.

De acordo com um estudo de 2017, a estimativa é que 8,3 toneladas de plástico tenham sido produzidas desde a Segunda Guerra Mundial. Cerca de quatro quintos foram descartados como lixo, enquanto apenas 9% foi reciclado.

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