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Bazar gera oportunidades para atacadistas e varejistas

Seção deve ser abastecida com mix variado e sempre atualizado com as tendências de mercado

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Por Adriana Bruno

Quando se pensa em compras no canal alimentar dificilmente vem à cabeça a imagem de um corredor com produtos de utilidades e utensílios domésticos, papelaria, panelas, brinquedos, lâmpadas, entre tantos outros itens. Mas esse corredor existe e está lá, cheio de oportunidades para distribuidores, varejistas e consumidores. Rodrigo Catani, head de eficiência operacional da AGR Consultores, afirma que o bazar é uma seção importante por ser um bom gerador de margem de contribuição, geralmente entre 8 e 12% superior a de alimentos e bebidas. Além disso, ele pode ser um elemento de diferenciação em relação à concorrência. Porém há alguns cuidados a serem tomados, pois é uma categoria de giro mais lento, podendo chegar a 30 – 40 dias. “Como as opções de produtos são muito amplas, é preciso uma boa definição do sortimento e uma boa relação com os fornecedores para evitar rupturas de estoque significativas. Ou seja, é uma seção que exige um cuidado redobrado com a gestão de estoques para ter o desempenho esperado”, diz.

Para Catani, o grande desafio da loja de vizinhança ou proximidade é escolher o mix adequado para a seção bazar e adaptá-lo ao espaço físico que é muito limitado. “Um elemento importante é o correto balanceamento entre itens básicos como descartáveis, pilhas e utensílios domésticos e itens diferenciados como automotivos, presentes, itens para jardinagem, entre muitos outros. Como as opções são muito grandes, é necessário entender o que é mais importante para cada localidade”, diz. O caminho para solucionar essa equação está na parceria com o atacado distribuidor que pode, com toda a sua expertise de mercado, auxiliar o varejo não somente na composição do mix mas na adequação do mesmo ao seu público. “O atacado distribuidor tem um papel fundamental para que o varejo possa melhorar a participação da seção bazar no seu negócio, pois como ele disponibiliza um mix mais completo e trabalha com maior cobertura de estoque, ele pode ser o principal abastecedor do varejo para essa seção”, reforça Catani.

Para atender bem o cliente e ter uma seção rentável, Olegário Araújo, cofundador da Inteligência360, diz que planejamento é a palavra-chave e que atacado distribuidor pode atuar como um consultor para o varejo, melhorando os resultados de negócios para ambos. “O atacado-distribuidor precisa ser, neste caso, um consultor, orientando-o sobre o que vende, ajudando-o a entender a concorrência e também a necessidade de estoque. Isto implica que o vendedor não pode se ater a tirar o maior pedido possível. Exige um novo tipo de relacionamento para não comprometer a confiança e consequentemente o relacionamento”, diz Araújo.

Distribuidor é o grande aliado do varejo de vizinhança

Há quatro anos o Brasil vem enfrentando uma crise no consumo e praticamente todos os segmentos da economia sentiram seus efeitos e com os produtos de bazar o cenário não foi diferente. Adequar-se à nova realidade é a frase mais repetida pelos empresários e consumidores, também. Everton Buttenbender, diretor do Real Atacado, contou à revista Distribuição que a empresa precisou trabalhar com produtos de menor valor e que coubessem no bolso do cliente para continuar não somente a operar como também a atender as empresas de pequeno e médio porte que fazem parte da lista de clientes do atacado. “Eles têm dificuldades em concorrer com as grandes redes que tem marketing agressivo, parcelamento cartões e outras vantagens”, comenta. Buttenbender destaca ainda que manter o nível de estoque adequado é uma questão crucial para as finanças do negócio e novamente o distribuidor pode auxiliar o varejo de vizinhança. “Esse é o papel do distribuidor que entrega rápido, atende demandas específicas e no caso do setor de bazar que trabalha muito com novidades, tem também a antecipação de tendências e novidades que chegam mais rapidamente ao varejo”, comenta.  O Real Atacado trabalha com um mix que contempla produtos de decoração, presentes, brinquedos e papelaria.

Também atendendo o varejo, a Disandrade Distribuidora, que trabalha com a distribuição da categoria vidros – desde assadeiras, tigelas, pratos, xícaras, copos, taças, entre outros – entende que o distribuidor deve trabalhar com a capacidade financeira de cada cliente, atendendo o pequeno varejo, mesmo na mais distante localidade. “Ofertar um mix ideal, com venda até mesmo fracionada é nosso papel. Além disso, é preciso oferecer certa variedade de marcas necessárias ao setor de bazar, sem exigir valores ou quantidades mínimas, oferecendo agilidade na entrega, menos rupturas e menor investimento no estoque do varejista, sem esquecer de mostrar e incentivar o varejo com a boa rentabilidade que o segmento pode oferecer”, avalia Marildo de Andrade, diretor da Disandrade Distribuidora. Ele ainda diz que a categoria vidros (desde assadeiras, tigelas, pratos, xícaras, copos, taças, etc) é a que apresenta maior giro, seguido pela categoria de Térmicos (garrafas térmicas, caixas, etc) e artigos Inox (talheres, utensílios, panelas, etc).

Ainda segundo Andrade, um mix ideal para a seção de bazar em um varejo de vizinhança precisa contar comum mínimo de 200 itens, o que representa um investimento médio R$ 2.500,00. “Para um varejo de médio porte falamos em 300 itens e um investimento aproximado de R$ 3.500,00”, comenta.

Setor é representativo para o faturamento do varejo

Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostraram que, em 2017, o setor supermercadista brasileiro registrou faturamento de R$ 353,2 bilhões, sendo que a participação da seção Bazar no faturamento do setor subiu de 3,8 (2016) para 4,1% (2017).  Para o diretor do Super Apolo e presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesar Longo, o bazar é uma seção rentável se for bem trabalhada. “O grande desafio, neste caso, é o acerto do mix e a relação do espaço ocupado nas gôndolas. Na nossa empresa seção representa de pouco mais de 1%, mas a média estadual, segundo o Ranking Agas, está na casa dos 3%”, conta. Ele ainda ressalta que a seção permite trabalhar a sazonalidade, como é o caso do Dia das Crianças, por exemplo. “Os brinquedos baratos são o carro-chefe de vendas no Dia das Crianças para os supermercados e é fundamental acertar os personagens da moda nos brinquedos, para alavancar as vendas”, diz.

Outro varejista que investe no Bazar é a Rede de Supermercados Covabra. Segundo Fabiana Prata, gerente de compras do setor de bazar da rede, essa seção representa 5,5% do faturamento da empresa e destaca que para ter sucesso, a seção deve estar sempre atualizada com as tendências de mercado, buscando sempre novidades que possam gerar interesse junto ao público. “Além disso é preciso dar atenção à sazonalidade, pois a procura por itens dessa seção é muito influenciada por esse fator. Em época de retorno às aulas, os itens de papelaria tem maior saída, por exemplo. O mesmo acontece com o Dia das Crianças”, comenta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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