É tempo de punir culpados, diz Fernando Henrique Cardoso

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que participou nesta segunda-feira, 8, da Sessão Solene de Abertura do ENACAB – Encontro Nacional da Cadeia do Abastecimento, promovido pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, como palestrante principal, afirmou que é tempo de punir culpados, mas principalmente é tempo de não mais se aceitar o que tem sido aceito até hoje. Disse que o que está acontecendo no Brasil não é um processo simples.  É um desafio cotidiano. E é justamente quando parece não haver condições políticas de se tomar algumas decisões que elas precisam ser tomadas. As leis devem ser iguais para todos, a sociedade não quer mais foros privilegiados. A primeira regra do Poder é o dever de prestar contas.
Ele iniciou a palestra lembrando que hoje, queiramos ou não, estamos todos conectados. Assim como o setor distribuidor conecta partes aparentemente não relacionadas, a partir de um certo momento o modo de produzir depende de estarmos encadeados como o mundo. “Sabendo que participamos de um processo de globalização, temos a oportunidade de potencializar nossas vantagens nacionais.”
FHC frisou também que é preciso aprender com as experiências. “Algumas coisas são como são. Se estimulamos o consumo e o crédito sem controle, criamos uma bolha e em seguida uma crise. Isso não é esquerda ou direita, é como as coisas funcionam”, disse. “É preciso trabalhar, poupar, crescer e depois consumir. Achamos que podíamos fazer diferente, e deu no que deu.”

Minha geração sonhou, disse ele, grandes coisas para este país, mas pecamos pelo exagero, pelo desejo de fazer tudo, de poder tudo. Fiz parte da constituinte de 1988. Queríamos liberdade política, queríamos acesso aos direitos de educação, saúde, acesso à terra e procuramos garantir isso na Constituição. Não imaginávamos que pudesse haver abusos.
“Na própria formação de partidos decidimos não colocar limites, e hoje são quase 70, entre registrados e com pedido de registro. Não é possível, é preciso haver uma revisão, as instituições precisam ser reorganizadas. A cultura nacional vigente de que tudo se arruma não é verdadeira. Queremos liberdade, queremos democracia, mas é preciso ordem. Atravessamos hoje um momento político e econômico delicado. Pela primeira vez na história temos três anos seguidos de falta de crescimento econômico.”
“O que podemos? O que queremos? O Brasil precisa saber que rumo tomar, e quem vai levá-lo até lá. Também é preciso fazer as pessoas participarem desse projeto. O país pode dar certo, e com muito entusiasmo dizemos: ele vai dar certo!”

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