Eduardo Giannetti avalia o atual cenário econômico brasileiro

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Um debate amplo com pontos de vistas divergentes e convergentes. Foi assim o Painel – Reconstruindo o Brasil – Uma visão institucional e econômica, que aconteceu nesta terça-feira, 9 de agosto, no ENACAB – Encontro Nacional da Cadeia de Abastecimento. O debate teve a participação do economista Eduardo Giannetti da Fonseca e do presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), José do Egito Frota Lopes Filho, e seus convidados José Ricardo Roriz (vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Laércio Oliveira (vice-presidente da CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Honório Pinheiro (presidente da CNDL – Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e Fernando Yamada (presidente da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados). A mediação foi feita pelo jornalista Ricardo Boechat.

Eduardo Giannetti da Fonseca abriu o debate se dizendo feliz em compartilhar boas notícias. Segundo ele, ainda não dá para sonhar alto, mas estamos virando uma página. Para o economista, a inflação deve chegar a 5% em 2017 e a taxa básica de juros deve começar a cair já neste ano, atingindo 10% a 11% ao longo do ano que vem. Ele acredita que o PIB deve crescer cerca de 2% em 2017.

Há elementos, disse, que justificam essa confiança, como a inflação em queda, o ajuste nas contas externas e o que ele chamou de “conjuntura de ociosidade”. “O Brasil nunca teve um cenário como existe hoje. Uma enorme quantidade de capital físico e humano (mão de obra preparada) disponível, pronta pra ser mobilizada para entrar em ação e aumentar o nível de produção. Para mobilizar esse capital é preciso lidar com um elemento intangível que é a confiança. Os consumidores precisam voltar a adquirir bens, e os empresários, a comprar máquinas e equipamentos”, disse.

Apesar das previsões otimistas, Giannetti avalia que ainda há riscos para que o cenário positivo se concretize e o maior deles ainda está no campo político. “As apurações da Lava-Jato podem trazer fatos novos que geram ainda muita insegurança, principalmente para o programa da equipe da econômica e para o ajuste fiscal. Não dá para rever o que vai acontecer ainda”, afirmou.

Na sua avaliação, outro tema que pode ser um divisor de águas é o a possibilidade de aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos públicos. Se aprovada, disse, a PEC vai mostrar a verdadeira condição de liderança e governabilidade do atual governo. Pela proposta, o governo se compromete durante 20 anos a não aumentar o seu nível de gastos. Um elemento facilitador para aprovar reformas como a da previdência.

Fazendo uma avaliação de longo prazo, ele disse que boa parte dos problemas do Brasil vem de muito tempo e que não foram criados pela presidente Dilma Rousseff. “Ela apenas acelerou esse processo atuando de forma irresponsável na área econômica. Apesar disso, não podemos tolerar mais aumento de carga tributária para corrigir esses erros. Temos que encontrar novas fórmulas e elas existem”, disse.

Ele acredita que haverá uma renovação de lideranças políticas. “A democracia é um processo de permanente aprendizado. Haverá um redesenho do cenário político e certamente aqueles que prejudicaram o Brasil vão ser punidos.”

Convidados

O deputado Laercio Oliveira afirmou que apesar de a classe política ser mal vista nos últimos tempos, ele sentia orgulha em ser deputado federal. “Exerço meu trabalho e não me enquadro nos grupos que cometem atos ilícitos. Não podemos generalizar, pois há pessoas de bem no Congresso”, disse.

Ele concorda que há um horizonte melhor, mas é preciso agir para que as mudanças se concretizem. E isso, segundo ele, começa com as entidades, que devem se representativas. “O governo se distanciou dos empresários, e os empresários se distanciaram do governo. Querendo ou não são os políticos que decidem os nossos destinos. Não podemos ficar alheios e esperando soluções”, avaliou.

José Ricardo Roriz, da Fiesp, disse que ficou satisfeito com o debate, pois as opiniões da indústria convergem em muitos aspectos, mas ainda temos sérias questões para enfrentar. “Temos a oportunidade agora de corrigir os problemas. Mas é um longo caminho ainda a ser percorrido, pois ainda estamos enfrentando a crise de confiança”, afirmou.

Já Fernando Yamada afirmou que o setor de supermercados vem mantendo um desempenho sustentável nos últimos anos, mas isso se deve especialmente há uma atuação de parceria com a indústria. “A indústria trabalha com o comportamento do cliente e isso faz com que o setor não fique desestimulado”, disse.

Para ele, é fundamental atuar ao lado do legislativo. “O comércio não cresce apenas por boas práticas, pela tecnologia ou pela criatividade. O comércio vai crescer quando as leis forem simplificadas. Para isso, temos de ser atuantes. Estar ao lado do governo e do legislativo. Esse é o papel que a UNECS (União Nacional das Entidades de Comércio e Serviços).”

Honório Pinheiro enfatizou a importância da atitude. “Temos que construir entidades voltadas para o interesse dos associados. Temos que entender melhor a matriz associativista. Temos que refletir sobre as nossas atitudes. O que podemos fazer para que o país volte a crescer?”, questionou. Isso começa, segundo ele, por compreender que existem parlamentares sérios e preocupados em melhorar o sistema.
Encerrando o debate, o presidente José do Egito acrescentou que o empresariado brasileiro não deve temer essa aproximação com os políticos. “Temos um futuro promissor, por isso vamos continuar fazendo a lição de casa e continuar comprometidos com as mudanças”.

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