Exclusivo: Varejo de vizinhança não para de crescer no Brasil

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por Adriana Bruno
Por loja de vizinhança entendemos um universo que vai dos supermercados às padarias, açougues, farmácias, perfumarias e lojas de conveniência, entre outros estabelecimentos. Não falamos de grandes lojas, mas sim daquelas que têm, no máximo, 500 metros quadrados de um a cinco checkouts, sendo que boa parte delas funciona com administração familiar. Em contrapartida, elas oferecem tudo o que o cliente quer e de que precisa para aquele determinado momento de compra. As lojas de vizinhança ou de proximidade têm como característica essencial oferecer um mix reduzido de marcas e produtos, mas adequado ao perfil da região em que está instalada. Esse formato vem dando tão certo no País que praticamente obrigou grandes redes varejistas a investirem no nicho. Do Dia Market ao Pão de Açúcar Minuto, passando pelo Carrefour Express, as lojas de vizinhança só tendem a crescer, sejam elas independentes ou não. Segundo uma pesquisa realizada pelo Euromonitor International, em 2010 as vendas em mercados de vizinhança das grandes redes no Brasil somavam 365 milhões de reais. Em 2015, esse valor foi de 1,2 bilhão de reais, ou seja, um crescimento acumulado de 227% no período.

Para Marília Borges, analista de pesquisa do Euromonitor International, as lojas de proximidade estão entre os canais mais dinâmicos e que demonstraram melhor desempenho no ano passado no Brasil. “Isso está ligado a algumas tendências, como o menor tamanho dos domicílios e também o aumento do congestionamento nas grandes cidades brasileiras, que impulsionam a demanda por lojas que focam na conveniência”, diz. Para ela, a expectativa que se tem é a de que nos próximos cinco anos esse canal continuará ganhando mercado com a expansão de mais lojas de proximidade dos grandes varejistas em áreas residenciais.

Além de correr para acompanhar as tendências do varejo nacional e os movimentos do consumidor que busca mais conveniência, as redes também investem em lojas menores por uma questão de economia. Segundo Roberto Nascimento, professor do Núcleo de Estudos e Negócios de Varejo da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, um hipermercado chega a ter 15 mil metros quadrados, o que, entre outros fatores, representa um custo operacional de 25%, em média, do que se fatura. Nas lojas menores, esse custo cai para 10%. “É uma diferença enorme e, ao mesmo tempo, gera uma vantagem competitiva com a redução dos custos operacionais”, diz.

Apesar de não haver números oficiais, a GfK Brasil estima que há cerca de 80 mil lojas de vizinhança no País crescendo de maneira consistente e sustentável. “Mesmo durante a crise econômica, as lojas de vizinhança cresceram, mas em um ritmo mais lento. Na retomada econômica, que deverá ocorrer em breve, o segmento continuará em aceleração, com a abertura de novas lojas e o aumento do faturamento”, diz Marco Aurélio Lima, diretor de Relacionamento da GfK Brasil.

Para o executivo, entre as razões que motivam o crescimento e o sucesso do varejo de vizinhança estão a praticidade das lojas – por estarem mais perto do consumidor –, a comodidade de encontrar um mix bom para as categorias básicas e um preço mais competitivo com os oferecidos pelas grandes redes. Apesar de tantos pontos positivos, esse tipo de varejo também apresenta desafios. “Os proprietários precisam profissionalizar a gestão das lojas e esse é um longo caminho a ser percorrido. As lojas estão crescendo e se desenvolvendo e só haverá espaço no mercado para as que estiverem mais bem preparadas”, diz Lima.

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